sábado, 5 de dezembro de 2009

Sem trocar a fechadura



Não é fácil chegar ao topo. Mais do que o caminho até lá, que já é sofrido pra maioria das bandas no Brasil, a manutenção do sucesso e a responsabilidade com os fãs pesam. Pra piorar, é preciso engolir todo tipo de crítica, se conformar com os rótulos e driblar os fiascos – missão dificílima quando se tem todos os holofotes apontados. O NX Zero já é, nesta década, talvez o maior fenômeno do pop rock nacional, crédito que aumenta quando se pensa que a geração ficará marcada pelos grupos de sucesso instantâneo, que vem e vai rápido até a próxima busca no Google.

E no topo o NX Zero chegou, recriando no País a cultura do fã adolescente incondicional, aquele que cola pôster no quarto, amarra faixa na cabeça e grita desesperadamente na porta do hotel, mesmo que o cara que põe a cabeça pra fora da janela seja só o roadie da banda. Está certo que entre esse público, 98,75% são mulheres. Mas como onde há mulheres a homens, o quinteto paulista não tem do que reclamar. Ainda mais quando o quarto álbum de estúdio da carreira consegue manter a fidelidade dessa galerinha histérica.

Com o recém-lançado Sete Chaves (Universal Music), Di, Gee, Fi, Caco e Dani estão se afastando do gênero “açucaradinho” (leia-se “emo”) para adotar uma postura mais roqueira e um pouco menos pasteurizada. Mas sem ir muito longe. Os 40 segundos de Vertigem, tema instrumental que abre o disco, fazem supor uma grande guinada no som da banda. No entanto, logo na faixa seguinte, Só Rezo, rock de versos inconformistas escritos pelo vocalista Di Ferrero após visita ao Complexo do Alemão – conjunto de favelas situado em Vigário Geral, na periferia do Rio de Janeiro – ouve-se o mesmo instrumental pseudopesado que caracteriza as produções de Rick Bonadio. E que se repete em músicas como Confidencial.

Ou seja, o grupo tenta soar diferente, mas dentro de uma aparente segurança, abrindo mão de qualquer ousadia que represente o risco de espantar os fãs. O primeiro single, Espero a Minha Vez, é uma baladinha de esperança pós-fim de namoro, com instrumental baseado essencialmente em violão e uma linha simples de piano. Tudo em Seu Lugar segue o mesmo padrão levinho.



SEGREDO – A capa do CD foi ilustrada com um cadeado para passar a ideia de segredo. O objetivo era que se desvendasse cada música, aos poucos. A verdade, porém, é que não há muito o que desvendar. A fechadura é a mesma, com a fórmula que deu tão certo anteriormente. Entre todas, Subliminar é uma boa surpresa, cheia de groove e com o balanço do reggae, o que coloca o NX Zero em outro patamar entre as 14 faixas do CD. Sete Chaves tem como saldo o fato de ser um disco mais entrosado e criativo do que os anteriores, mas ainda um tanto quanto irregular.

Embora tenha dado o primeiro passo, talvez com um pouco mais de espontaneidade, sem usar tanto a mão de Bonadio – que, bem ou mal, consegue deixar tudo com cara de FM –, o grupo se saia ainda melhor. Duas das melhores músicas, Vicio ­– com um belo trabalho de baixo – e Sem Saída, foram deixadas por último. Talvez um prelúdio pra o que venha por aí. Por enquanto, o NX Zero vai continuar agradando aos fãs. O topo segue garantido.

FONTE: Gazeta do Sul

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